Duas leituras de um coração

Paulatinamente me fere a pele

incisivamente até a hipoderme,

cutuca os pontos que me ferve

insana coagulação que me entristece,

pura ficção que não desaparece,

de loucura o corpo fica em febre,

a razão logo se envaidece,

e a paixão tíbia se despede,

a insanidade se enobrece,

a vaidade por si prevalece,

brindando com a infelicidade,

que nada pede e que pouco oferece,

por culpa de um coração que não cede!

 

 

Anúncios

Soneto de bolero

Te fantasio num bolero

Nos passos rítmicos do ardor

te tocando com esmero,

no mais apaixonante fervor.

No embalo quente te venero,

Melodia triste, emana dor,

Nos teus braços me externo,

coerograficamente sem pudor

Silenciosamente o fim da dança espero,

enquanto meus olhos expõem o albor,

embora retinente, porém sincero e singelo amor.

Confesso que um beijo roubado quero,

beijo roubado tem mais calor,

teu beijo roubado no bolero meu amor, oh se quero!

 

Linda parte de mim…

 

 

 

 

 

Como minha alma foi se perder assim?

Mais agitada que uma tempestade,

 e por você  ficar totalmente afim?

O coração é plena intensidade,

de saudades que não tem fim,

concomitantemente pura felicidade,

por  você ser a mais linda parte de mim!


Rancor

Sorvo o líquido indolor

de uma cicatriz dilacerante,

fruto de uma razão claudicante,

que se revela sem pudor.

Na falácia de um sorriso edificante

reveste-se todo o desamor,

disseminada em uma vida insignificante,

permeada por rancor.

Culpa

És tu oh miserável,

execrável das minhas entranhas,

és intangível e invisível,

mas cheia de façanhas.

Pensas que não sei da sua sordidez,

da sua mesquinharia,

não me esquece de vez,

vives em mim nesta eterna zombaria.

O teu fito é a minha loucura,

serpente de todo mal,

queres me ver na amargura,

desafortunada culpa mortal!

« Older entries