Ao meu amigo

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Composição: Robson Júnior

Meu amigo eu sei as dores que tu passas
Quantas dúvidas amargas ganham o teu coração
Criam forças nas mordaças dos teus medos
Te sufocando a escuridão dos teus segredos
mas tens que saber que contas comigo
mas tens que saber tambem já passei por isso
mas eu sei que tudo passa,

Deus te leva em Suas mãos
e eu te levo meu amigo
dentro do meu coração

mas tens que saber que contas comigo
mas tens que saber tambem já passei por isso
mas tudo vai passar, mas tudo passará, eu sei que vai
Estarei ao teu lado para te ajudar a ver além.

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Ciclos

 

Ciclos

 

 

São tantas as elucubrações, no tocante a vida, ao começo desta, ao divino ao mortal a imortalidade que fico a divagar sobre tais questionamentos, e chego a uma resposta : CICLOS.

Quando estivemos no útero, éramos ligado a nossa mãe de forma a não existir nada que nos prendesse mais que isso, era a nossa vitalidade. Ao nascermos a ligação é afetiva e nutricional, ao passo que vamos crescendo, outras coisas vão se incorporando, o anseio de andar, de falar, de interagir abertamente com o mundo sem ter um intercessor, tanto que os brinquedos vão sendo substituídos o chocalho que tanto agradava no berço é trocado por outros brinquedinhos.

Quando chega-se a uma certa idade é hora de ir pra escola, viver a vida em equipes, conhecer pessoas, conviver com outras realidades, receber e emitir energias, os brinquedinhos de antes, são substituídos pelos novos amigos pelas novas tecnologias, pela nova maneira de ver o mundo, o que antes agradava, foi doado, esquecido, guardado dentro do guarda-roupa, do baú ou muitas vezes jogado fora. Encerra-se aí um ciclo, o da pequena e doce inocência. Os pais, os irmãos, os avós que tinham sido até então o berço de tudo passa a dar espaço, a novas amizades, a novas coisas que vão tomando o seu grau de importância em nossas vidas.

Ao passo que crescemos vamos moldando o mundo a nossa maneira e sendo grande parte da vezes moldado por ele de uma forma tão inconsciente, que somos levados a acreditar, que toda a rebeldia e o senso da razão é emanada de nós, mas não de muitas e muitas gerações que viveram todas essas cargas emocionais que passamos na escola.

È na escola, que encontra-se todas as preocupações da puberdade, a vontade do primeiro beijo, da primeira transa, da primeira namorada, o primeiro tudo, o primeiro que tem quer ser inesquecível, ou que muitas vezes precisa ser rápido ou então o medo de sê-lo o posterga, é a luta da razão, dos valores e dos anseios. Os amigos da pré-escola alguns permaneceram, continuaram seguindo conosco, outros lembramos do rosto, ou de um pequeno momento que foi importante pra você que talvez ele não lembre, como quando ele amarrou seu tênis , sendo que você se perdia nos nós do cadarço, ou daquela vez que ele te passou uma lição que você esqueceu de fazer e que se não fizesse a professora ia mandar recadinho aos seus pais.

As pessoas vão passando, deixando em si muito delas e carregando muito de nós, quando saímos, muito de nós,vamos pra Faculdade, onde iniciamos um novo ciclo, alguns amigos que nos acompanharam todo esse tempo, já tiverem que seguir outros ciclos, outros caminhos, casaram-se, partiram dessa vida, foram estudar fora, tiveram que trabalhar e a presença se torna cada vez mais escassa em sua vida, as vezes um e-mail, uma conversa pelo msn, recados no orkut, ligações, algumas visitas até que a distância vai aumentando ainda mais o ciclo.

No término da Faculdade, inicia-se um novo ciclo, o do medo, o da tensão, o do que fazer, o que construir o que querer, é a hora do desapego, de se deparar ausente de muitas pessoas que marcaram sua vida, que lhe deixaram cargas emocionais profundas, mas que infelizmente não estão mais próximas pra te ajudar a levantar de uma queda, a te sorrir ou te abraçar quando você mais precisava, é a hora de ter ainda mais maturidade, essa que foi construída ao longo de toda uma vida.

Muitos são os objetivos, as pessoas vem e vão em nossa vida, deixando cargas emocionais, um amor não bem sucedido, um paixão avassaladora, tudo te deixa marcas, algumas superficiais outros profundas fazendo com que conheça ainda mais a si e inicie sempre um novo ciclo, de conquistas, esperanças e dissabores.

Chega a hora que muitos querem ter uma família, casar, ter filhos, construir uma vida com uma outra pessoa, de forma a compartilhar com ela as suas cargas emocionais e receber a dela e criar os filhos tendo toda essa consciência de erros e acertos, que é tão subjetiva. Quando nasce os filhos, inicia-se um novo ciclo, como se um parte sua começasse a viver separadamente, é uma dor que desatina sem doer como diria Camões, é viver a dor que não é sua, é querer acolher pra não ter quedas é acompanhar no filho aquilo que nossos pais acompanharam conosco, é começar a entender o porque de tantas coisas que diziam , é perceber que os conselhos não são simples palavras soltas ao vento, mas a experiência de pessoas que já passaram pelos ciclos que nossos filhos irão e que posteriormente os nosso netos terão.

É contemplar uma eterna desconstrução de valores, de dúvidas, de anseios, é perceber que os ciclos estão em todos os lugares, na natureza, no espaço e conseqüentemente em nossos lares. É procurar respostas, é manter contato, é perder contatos, a vida é uma sutileza , é uma eterna caminhada da qual não sabemos quanto tempo teremos para fazer e que não sabemos pra onde vai nos levar, mas que senão vivida intensamente não deixa nada.

Os ciclos passam de forma que nem os percebemos passar, as pessoas vão lembrar justamente daquilo que você deixou pra ela, lembranças boas ou ruins, tudo depende de como passamos, não mudamos, o que muda são as circunstâncias, as coisas, o espaço, é tudo movido aos nossos atos, podemos ser energia, ser luz para as pessoas, e deixar cargas emocionais profundas e verdadeiras, ou simplesmente existir , sendo uma flor murcha, sem vida , sem beleza e sem lembranças.

Tudo depende de como eu ajo, de como você age, de como agimos, da forma com a qual somos consciente de nossos ciclos e do amor que temos e passamos pra deixar tudo isso mais vívido e cheio de paz , luz e recordações para o ciclos vindouros.

 

 

 

O aéreo-claro sobre escuro-redondo

 

Sob o alaranjado tênue do céu,

embriagada pelas milongas,

tudo em mim….

                                  sinestesia!

Da contiguidade com o divino

a esqualidez, o frio…

                                         estranha alegria…

De tudo me solto e me prendo,

do tudo ao nada…

                                    simples travessia.

O meu rosto mudo e plácido

reflete…

                               a minha paz que tudo silencia!