Ailin Aleixo

A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da Terra, sob nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos.

O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la.

A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer a excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos a nos encantar novamente dali a pouco.

Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me matariam se terminassem.

Às vezes, cruzo na rua com fantasmas que já foram bem vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente.

Algumas pessoas simplesmente são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade ou intenção, apenas esmaecem até desaparecer.

É mesmo impossível manter na memória da pele todos os que passaram por nós ou sermos mantidos por todos: gente demais, espaço de menos…

O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotada com os erros cometidos e alegrias jamais revividas.

Para ser feliz é necessário pouca coisa além de se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas.

É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repeti-lo como um mantra: absolutamente nada é para sempre, nem mesmo os sentimentos que parecem ser (a vida seria um lago estagnado se só existisse o perene).

Nunca mais haverá amor como aquele?

Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.

Todo mundo passa.

E é bom que seja assim.

Ailin Aleixo

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Sinfonia musical

DO pouco e do muito

hoje eu entendo..

REnovação de conceitos

quebras de verdades…

MInha razão perdida

numa simples troca de olhar!

FAscínio e magia

frutos do acaso.

SOL que me esquenta

pelo simples calor da sua presença.

Lá onde as lagoas se encontram

vive o rio que deságua no meu mar.

SImplesmente pleno e belo

não precisa de mais nada pra me agradar

e ….

DO encontro de nossas partituras

uma sinfonia musical!

Aprendendo

O que seria a vida senão a incansabilidade de aprendizado…

O que muitos de nós nos perguntamos é o dia de amanhã, que amanhã eu terei que fazer isso ou aquilo e das muitas coisas que preciso ainda fazer.

Mas o que realmente nos inquirimos é o que ainda não nos deixamos viver….

Sim, o nosso modelo programático de ser nos impede de presenciar as coisas simples da vida, de se dedicar ao hoje, de se dar mesmo que a doação não tenha fundamentos, mas o que é fundamento?

A ânsia de qualificar tudo e todos e de viver além dos seus limites, nos faz fugir de nós mesmos e criar uma outra dimensão, o do umbigocentrismo, em que só as nossas verdades são os modelos a serem seguidos…

Mas a vida não tem modelos, mas apanhado de horas e de momentos, que pode nos fazer rir ou chorar..

A vida é o inesperado, é a chuva numa tarde de verão, a brisa que toca a face e dá aquela sensação de frescor, não há o que se definir e tampouco dimensionar a existência, ela é muito além de todos os planos e metas …

Portanto  por mais imaturo e juvenil que pareça a idéia do viver  o hoje, se permita, não deixe as oportunidades passarem por medo de tentar ou pela razão de que tudo relata  a impossibilidade, pois não há obstáculos para um coração destemido e uma alma aventureira e poderá não haver amanhã aos que sonham demais …