Culpa

És tu oh miserável,

execrável das minhas entranhas,

és intangível e invisível,

mas cheia de façanhas.

Pensas que não sei da sua sordidez,

da sua mesquinharia,

não me esquece de vez,

vives em mim nesta eterna zombaria.

O teu fito é a minha loucura,

serpente de todo mal,

queres me ver na amargura,

desafortunada culpa mortal!

Solidão

Oh solidão,

a luz das tuas trevas,

és manancial da inspiração.

O teu grito relutante,

és como cantiga de ninar,

te escuto a todo instante,

acho que estás a me dominar!

Presença

Se nas cores do teu riso me dispo,

 

é na tua branca saliva que me farto.

 

Com o teu olhar arranca-me o ar que preciso,

 

furtando-me a vida com um breve abraço!

Lúcifer

Vejas quem passa,

parece o anjo Gabriel,

transveste-se no melhor sorriso,

escondendo a face de Jezebel.

Canta como se fosse uma sereia,

navegando nos mares da docilidade,

joga a tua ancora nas profundezas,

devastando sonhos e a fragilidade.

Seu sobrenome é confiança,

ninguém desconfia da sua receptividade,

olhar que a todos engana,

mãos, bocas e órgãos vorazes por sexualidade.

A violência do algoz dantes escondida,

já deixou sua marca registrada,

podes ver aquela criança ali retraída,

maculada por uma infância defenestrada !